Falácias Informais

Lista de Falácias Informais (11):


Generalização Precipitada

  • Argumento indutivo por generalização;
  • Falácia lógica que recorre à generalização;
  • Escala demasiado pequena para se poder considerar um argumento a sério em Filosofia;
  • Conclusão pouco exata;
  • Forma lógica: Alguns A são B. Logo, todos os A são B.

Exemplo:

  1. A corrupção é comum em ambientes parlamentares. Logo, todos os políticos são corruptos.

  2. O furto é o crime mais comum na Roménia. Logo, todos os romenos são ladrões.


Amostra Não Representativa

  • Argumento indutivo por generalização ou previsão (dependendo do contexto);
  • Recorre à generalização indutiva, tal como a generalização precipitada ou à previsão;
  • Estatística fundamentalmente irrelevante relativamente à conclusão a que se pretende chegar;
  • Tem como objetivo moldar a aparência de um facto para que se pareça diferente do que realmente é;
  • Forma lógica: Alguns A são B. Logo, todos os A são B. (quando está presente uma generalização) / Alguns A são B. Logo, o A posterior será B. (no caso da previsão);

Exemplo:

  1. A Espanha, a Bélgica e a Suécia são países europeus com regime políticos monárquicos. Logo, os países europeus, por norma, apresentam regimes políticos monárquicos.

Petição de Princípio

  • Argumento circular;
  • A conclusão é incluída como parte do raciocínio;
  • Forma lógica: P. Logo, P.


Exemplo:

  1. As notícias são falsas, porque muitas notícias são falsas.

Falso Apelo à Autoridade

  • Argumento de autoridade;
  • Baseado na posição de uma pessoa ou autoridade (que não é um especialista), sem considerar a validade do próprio argumento;
  • Pode acontecer nos seguintes casos:

            -Usar autoridades fora do seu campo de especialização;

            -Usar autoridades que não têm qualificação para os assuntos tratados;

            -Usar autoridades em assuntos nos quais não há consenso;

            -Usar autoridades anónimas.

  • Forma lógica: P (não especialista) disse Q. Logo, Q é verdade.

Exemplo:

  1. Cristiano Ronaldo disse que o champô Y era o melhor do mundo. Logo, o champô Y é o melhor do mundo.

Falsa Analogia

  • Argumento por analogia;
  • Consiste em tirar conclusões de um objeto ou situação para um outro semelhante;
  • Não atende às semelhanças significativas existentes entre eles;
  • Por outras palavras, se duas coisas que serão comparadas não forem realmente parecidas em aspetos relevantes, a analogia é fraca e o argumento que se apoia nela comete a falácia da falsa analogia.
  • Forma lógica: O fenómeno P apresenta a característica R. O fenómeno Q apresenta a característica R. Logo, P é igual a Q.

Exemplo:

  1. Os peixes vivem no mar. A baleia vive no mar. Logo, a baleia é um peixe.

Apelo à Ignorância

  • Falácia na qual é revertido o fardo da prova, cujo nome vem da alegação por parte do argumentador de que ignoramos os fatos para dar um valor de verdade à tal crença;
  • Tem como objetivo iludir o interlocutor de forma a que pense que a falta de prova é uma prova;
  • Tirar o foco na argumentação vigente atribui-lhe o seu fardo de prova revertido;
  • Há várias formas de expor esta falácia, sendo uma das principais o absurdo, que é uma tática na qual se pega numa premissa falaciosa e se mostra como esta pode levar a consequências absurdas o que indica a presença da falácia.

Exemplo:

  1. Nunca vi Sócrates. Logo, Sócrates nunca existiu.

Falso Dilema

  • Consiste na criação de uma construção que elimina todas as possibilidades exceto duas;
  • Segue a lógica de um sujeito falacioso cuja intenção é persuadir uma entidade, apresentando uma alternativa que a leve a escolher uma opção A, sendo essa opção a opção B que o falacioso faz com que não seja desejável.

Exemplo:

  1. Ou comes a sopa, ou não comes nada.

  • Porém, a identificação de uma terceira possibilidade permite a refutação deste argumento, que leva à conclusão que há mais do que duas escolhas e que a falácia é reducionista.

Exemplo:

  1. Eu posso comer a sopa, posso não comer nada ou posso comer pão.

Falsa Relação Causal

  • Argumento sobre causas;
  • Estabelece uma relação de causa e efeito entre dois elementos, sendo que não existe uma relação entre os dois;
  • Existem três tipos de falsa causa: 

  • -Post hoc ergo propter hoc ("depois disto, portanto por causa disto", em latim), que tem como objetivo construir um argumento de forma a haver existência de uma causalidade entre dois elementos.

Exemplo:

  1. Sempre que o António diz que o teste lhe corre mal, ele tira boas notas. Logo, para que o António tire más notas, ele não pode dizer que o teste lhe correu mal.

  • -Non causa pro causa ("o que não é a causa pela causa"), na qual o que se assume ser uma causa, na verdade não é a causa.

Exemplo: 

  1. O Santiago porta-se bem, mas não tem boas notas. Portanto, se o Santiago se portar mal, terá boas notas.

  • -Por último, temos a falácia que ocorre quando são diversas as causas de um determinado acontecimento, sendo uma e só uma a responsável.

Exemplo:

  1. Os jogadores de futebol não ganham os jogos, desistindo dele. Logo, a culpa será dos treinadores.

Ad hominem (contra o Homem)

    • Argumento que ocorre quando uma ideia é posta em dúvida através de um ataque contra a pessoa que o defende;
    • A expressão latina "ad hominem" equivale a "contra o Homem" em português.
    • Pode assumir as seguintes formas:

    • -Ad hominem abusivo, em que uma ideia é posta em dúvida através de um ataque direto às características individuais da pessoa.

    Exemplo:

    Pedro – Acredito que o aborto deveria ser proibido pois um feto com oito meses de gestação já pode sentir dor. 

    Maria – A tua opinião sobre o aborto não está correta, pois és homem e não tens o direito de opinar sobre o assunto.


    • -Ad hominem circunstancial ou poço envenenado, no qual uma teoria é posta em dúvida através da alegação de que a pessoa que a defende tem algo a ganhar com isso.

    Exemplo:

    1. Responder, "Só defendes isso porque terás lucro" para alguém que defende os direitos dos animais e é dono de um restaurante vegetariano.


    • Tu quoque, um caso particular em que o ataque pessoal envolve acusar uma pessoa de hipocrisia ou incoerência, por não fazer o que defende.

    Exemplo:

    1.  Responder, "mas tu fumas" para alguém que defende que os cigarros fazem mal para a saúde e fuma.

    • Culpa por associação, que ocorre quando uma ideia é desacreditada por causa da existência de uma associação entre o seu autor e outra pessoa, instituição ou forma de pensar.

    Exemplo:

    1. Johannes Kepler era astrólogo, portanto as suas ideias sobre o movimento dos planetas devem estar erradas.

    Ad populum (apelo ao povo)

    • Falácia de relevância;
    • Justifica uma afirmação usando informações que não contribuem em nada para mostrar que ela é verdadeira ou aceitável, e que ocorre de duas formas:

    • A primeira acontece quando uma pessoa tenta convencer outra a adotar uma ideia simplesmente porque um grande número de pessoas pensa assim.

    Exemplo: 

    1. "A maioria das pessoas acredita na existência de Deus. Portanto, é muito provável que ele exista."

    • A segunda ocorre quando alguém apela a ideias, costumes e ações de um grupo considerado de referência ou superior para te convencer que também deverias pensar assim.

    Exemplo: 

    1. "Os Estados Unidos é um país desenvolvido. Como lá existe pena de morte, o nosso país também deveria dotá-la."

    Boneco de palha ou espantalho

      • Distorção do que realmente foi dito, criando assim um argumento fictício: o "espantalho";
      • A partir daí, o argumentador ataca o espantalho, desconsiderando o que o seu adversário disse;
      • Principalmente utilizada em debates políticos e na produção de "fake news", sendo uma das mais nocivas pela sua capacidade de influenciar a opinião pública.

      Exemplo:

      1. Como defendes a criação de mais programas sociais, és comunista.

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